Instagram

A imagem não apresenta texto alternativo, o que impede que pessoas que utilizem leitor de tela tenham acesso à fotografia de Bolsonaro — ainda que, nesse caso, o VoiceOver tenha conseguido lê-la.
Ainda assim, como a foto contribui para a construção de sentido da notícia, a ausência de descrição se torna ainda mais relevante. O recurso poderia ter sido inserido ou atualizado depois da publicação.
Visualmente, o post apresenta pontos positivos: a tipografia está em tamanho adequado, com uso de negrito e um bom contraste de cores, favorecendo a legibilidade.
A construção do texto segue de forma clara até a introdução de termos mais técnicos, que podem dificultar a compreensão. Ao final, aparecem diversas hashtags, inclusive para identificar o veículo. A escrita de “#tramagolpista” sem a diferenciação entre maiúsculas e minúsculas prejudica a leitura por tecnologias assistivas.
Além disso, o final da legenda não indica claramente para onde o usuário deve ir nem explica como acessar o conteúdo completo.

O vídeo já se inicia com um problema relevante: o título da matéria se sobrepõe à legenda da narração, comprometendo o contraste logo no primeiro frame e dificultando a leitura.
Essa limitação persiste ao longo de todo o Reels, já que o arquivo apresenta baixa qualidade e a legenda utiliza um tamanho inferior ao mínimo recomendado para legibilidade (18pt), tornando-se praticamente ilegível durante a exibição. A situação se agrava ao considerar que o conteúdo aborda pessoas surdas, mas não oferece recursos básicos de acessibilidade, como uma legenda clara ou janela de Libras.
Isso cria barreiras justamente para o público retratado na matéria, limitando seu acesso à informação. Diante dessas falhas no vídeo, a legenda textual passa a assumir o papel principal de transmitir a notícia.
O excesso de rodeios acaba diluindo a informação e pode afastar o público logo nas primeiras linhas, mesmo se tratando de uma história sensível e potente. Além disso, persiste o uso inadequado de hashtags sem a utilização de letras maiúsculas para separar palavras, inclusive em termos relacionados à Libras.
Por outro lado, é importante destacar a escolha da pauta, especialmente por sua abordagem não estigmatizante. Embora não haja menção explícita ao Dia da Pessoa com Deficiência (o que indica que a seleção não foi guiada pela efeméride), a matéria traz uma narrativa que articula deficiência e temas como afeto e adoção, ampliando a diversidade de enfoques.

A publicação do G1 no Facebook ainda é um retrato do que muitos veículos fazem para automatizar processos: programar publicações síncronas com o site ou, para otimizar tempo, apenas compartilhar o link da matéria. Ao optar por isso, o portal cria uma barreira para pessoas que utilizam leitor de tela, já que a legenda traz apenas uma sequência de letras e números.
Todas essas escolhas podem ser entendidas como decisões práticas diante da urgência de publicar uma notícia extremamente quente. Ainda assim, como o Facebook permite a edição posterior, cabe questionar se não poderia haver mais cuidado na construção do post, especialmente considerando a importância da notícia.
A publicação do Dia da Pessoa com Deficiência — sobre a adoção de um cachorro surdo por um casal com deficiência auditiva — não foi encontrada no Facebook, o que levanta dúvida sobre quais critérios orientam a veiculação de conteúdos na plataforma.
X (antigo Twitter)

Diferentemente da publicação no Facebook, a do X traz mais recursos que contribuem para um melhor entendimento da notícia. O tweet apresenta o título da matéria, que sintetiza bem o fato noticioso — embora venha acompanhado de um link sem qualquer sinalização, repetindo um problema já observado: a presença de uma sequência de letras e números logo após o título, o que pode confundir o usuário.
Por outro lado, o link é acompanhado de um vídeo com o trecho do voto de Cármen Lúcia, destacando o momento em que a ministra se posiciona. O vídeo ainda conta com uma narração da jornalista Andreia Sadi, que contextualiza a cena ao explicar que o voto acaba de ser proferido e que já forma maioria. Esse recurso contribui para tornar a informação mais acessível.
Ainda assim, por se tratar de uma publicação feita provavelmente sob pressão para dar a notícia rapidamente, nota-se a ausência de legendas no vídeo, o que compromete o entendimento para quem assiste sem som. Além disso, a borda utilizada pode ser questionada, já que, por ser grande e colorida, acaba desviando parte da atenção do elemento principal, que é a fala da ministra.

A publicação, por ser uma replicação de conteúdo, repete os mesmos problemas observados nos outros formatos. Porém, aqui não é possível conhecer melhor a história do cão e de sua nova família, já que o título se limita a apresentar o fato da adoção.
O complemento “história viraliza” pouco acrescenta em termos informativos, funcionando mais como um recurso para despertar a curiosidade e levar o usuário ao link completo. Esse link, mais uma vez, não está sinalizado e acaba se misturando ao título, gerando uma construção confusa. O vídeo, como já mencionado, também não apresenta correções em relação aos problemas anteriores: a qualidade da imagem é baixa e a legenda é pequena e praticamente ilegível.
TikTok

O vídeo do voto de Cármen Lúcia é uma ótima escolha para entregar a notícia da formação da maioria em uma rede social que privilegia vídeos, contudo, questiona-se a falta de contexto no vídeo, sem um título que indique sobre o que ele é.
O corte utilizado é o mesmo publicado no Twitter do portal, portanto, também conta com a explicação da jornalista Andreia Sadi sobre o juridiquês da ministra, o que facilita o entendimento da notícia. A legenda usada também é um destaque positivo: sucinta, vai direto ao fato da formação da maioria, com o complemento de indicar os cargos dos ministros sem deixar a leitura cansativa. O uso das hashtags ao final, diferentemente do Instagram, funciona mais como palavras-chave, podendo ser melhor compreendido por leitores de tela. Mas há alguns pontos de melhoria.
Assim como no Twitter, o vídeo carece de legendas. A plataforma até oferece closed caption automático com boa qualidade, mas não separa os interlocutores — ou seja, sem o som, não é possível distinguir quem está falando, especialmente no trecho em que as vozes se sobrepõem, o que gera certa confusão.
Na legenda do post, nota-se o uso de um emoji de lupa para destacar que Flávio Dino e Alexandre de Moraes votaram com a ministra. Nesse caso, como não há exagero e o recurso serve para dar destaque a uma informação, o uso é justificável.

No vídeo da adoção, vemos um cenário diferente. A publicação no TikTok é a mesma das redes anteriores, inclusive com a legenda replicada do Instagram.
Sem entrar nos problemas do vídeo, que já foram abordados, a legenda em si é um ponto crítico: é longa demais, utiliza emojis e inclui palavras que pouco contribuem para o fato noticioso.Por outro lado, há um aspecto positivo: existe um CTA que direciona para a matéria linkada, aproveitando um recurso da própria plataforma para indicar ao usuário onde encontrar o conteúdo completo. Além disso, graças às legendas automáticas do TikTok, o problema da baixa legibilidade das legendas do vídeo acaba sendo contornado.
