Sobre o projeto

O crescimento das redes sociais transformou profundamente a forma como o jornalismo produz, distribui e consome notícias. Plataformas como Instagram, TikTok, Facebook e X passaram a ocupar um papel central na circulação de informações, consolidando o que se chama de modelo social first — estratégia que prioriza conteúdos pensados especificamente para redes sociais.

Hoje, o Brasil lidera a proporção de pessoas que consomem notícias exclusivamente pelo celular, segundo o Reuters Institute Digital News Report 2025. O mesmo relatório aponta que o consumo de vídeos em redes sociais cresceu de 52% em 2020 para 65% em 2025, evidenciando como os formatos audiovisuais passaram a dominar o ambiente informacional digital.

Apesar desse crescimento, a acessibilidade digital ainda ocupa um espaço reduzido nas práticas jornalísticas. Um levantamento realizado pela BigDataCorp em parceria com o Movimento Web para Todos revelou que apenas 3,4% dos portais jornalísticos brasileiros atendem plenamente aos critérios de acessibilidade. Em um país com cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, segundo o IBGE 2022, a ausência de recursos básicos como audiodescrição, legendas, textos alternativos e navegação adaptada evidencia a permanência de barreiras no acesso à informação.

Nas redes sociais, onde a velocidade de produção e publicação costuma ser ainda maior, essas limitações também tendem a se repetir. Embora plataformas como Instagram, Facebook e X tenham implementado ferramentas de acessibilidade ao longo dos últimos anos, muitos conteúdos jornalísticos continuam sendo publicados sem adaptações adequadas para diferentes públicos.

O Fora do Feed nasce a partir disso. O projeto investiga como o jornalismo social first tem incorporado práticas voltadas à inclusão digital nas redes sociais. Para isso, foram analisadas publicações de veículos jornalísticos brasileiros em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e X, observando elementos como:

  • uso de texto alternativo;
  • presença de legendas;
  • audiodescrição;
  • contraste visual;
  • legibilidade;
  • linguagem simples;
  • organização das informações.

Como produto complementar, o projeto também desenvolveu um manual de boas práticas para redes sociais, com orientações sobre produção de conteúdo acessível em diferentes plataformas, que você pode baixar e compartilhar.

Mais do que analisar falhas, o projeto busca discutir caminhos possíveis para construir um jornalismo mais plural, acessível e alinhado às diferentes formas de consumir informação no ambiente digital.