A imagem não apresenta texto alternativo, o que impede que pessoas com deficiência visual tenham acesso à fotografia de Bolsonaro. Além disso, ao utilizar a ferramenta VoiceOver do iOS, percebe-se que o leitor de tela demora a chegar à notícia, devido à presença do slogan do jornal como H1 (ou seja, com hierarquia superior à própria manchete).
Por outro lado, o uso de cores no post é um ponto positivo, já que o contraste forte contribui para a legibilidade do texto. Ainda assim, chama atenção o uso de palavras em inglês em uma publicação de um veículo brasileiro, tanto na imagem quanto na legenda — inclusive como primeiro elemento do texto.
A legenda vai direto ao ponto da notícia, mas o primeiro parágrafo é composto por apenas um período, com 271 caracteres, o que prejudica a clareza e a organização da informação. Sem a utilização de jargões jurídicos ou palavras que dificultem o entendimento da notícia, no geral, o texto é conciso e consegue apresentar os principais pontos sobre a formação da maioria.
Não houve nenhuma publicação sobre pessoas com deficiência, acessibilidade ou qualquer menção à efeméride na CNN. Por isso, dentro da mesma data, optou-se por escolher uma notícia de relevância nacional — no caso, a cobertura sobre os protestos acerca da PEC da Blindagem — a fim de observar a acessibilidade também em conteúdos do cotidiano político.
Assim como na primeira publicação, a imagem não apresenta texto alternativo e repete o problema de hierarquia das informações, embora mantenha boa legibilidade.Em relação à legenda, há algumas melhorias.
A principal é o início pela linha-fina da notícia, que complementa a informação do post. Ainda que não haja uma conexão totalmente clara — o que pode gerar alguma confusão ao usuário —, o conjunto funciona bem. A legenda não é tão curta quanto a anterior, mas segue objetiva e consegue informar os principais pontos, com parágrafos concisos e frases mais diretas.
A publicação no Facebook é uma replicação do Instagram — o que, nesse caso, pode ser visto como um ponto positivo. O post não se limita a um link, que muitas vezes funciona como uma barreira informacional, e consegue entregar a informação completa ao usuário, permitindo que ele se informe sem precisar acessar outras páginas.
Por outro lado, por ser uma replicação, repete os mesmos problemas da versão original: a imagem não apresenta texto alternativo e há falhas na hierarquia das informações. Nesse caso, o uso de palavras em inglês se torna ainda mais prejudicial, já que aparecem como primeiro elemento de contato com o usuário, considerando que, no Facebook, a imagem fica em segundo plano no layout da plataforma.
Ainda assim, a publicação ganha pontos por se diferenciar de outros formatos mais limitados e por conseguir apresentar os principais aspectos do fato noticioso.
A segunda publicação não segue as boas práticas observadas na primeira. O post se limita a trazer o título da notícia, sem qualquer complemento ou contextualização.
Além disso, não há indicação clara do link para a página do jornal — embora ele esteja acoplado, não é devidamente sinalizado. Também não há qualquer indicação de como acessá-lo, o que acaba criando mais uma barreira para que o usuário chegue à informação completa. Para quem utiliza leitor de tela, a experiência se torna ainda mais confusa, já que a informação aparece duplicada: o título é lido tanto no texto do post quanto na imagem do link.
X (antigo Twitter)
O post se limita a trazer o título da notícia, sem qualquer complemento ou contextualização. Considerando a relevância do tema, é válido questionar se esse é o formato mais adequado para a distribuição.
Entende-se que, diante de uma notícia urgente, a rapidez na publicação tende a falar mais alto, mas, com um pouco mais de elaboração, o conteúdo poderia ser não só mais acessível, como também mais completo e com melhor desempenho na plataforma — que, embora tenha sido criada para textos, vem privilegiando cada vez mais vídeos.
Provavelmente resultado de um processo de automatização, a publicação traz apenas o link para a matéria no site, o que acaba criando mais uma barreira para o usuário acessar a informação. Além disso, não há sinalização clara da presença desse link, nem qualquer orientação sobre como acessá-lo. Na data em que o post foi analisado (19/04/2024), também houve dificuldade em visualizar a imagem da matéria, que complementa a notícia, já que não foi possível carregá-la.
A publicação traz um recurso interessante: além da manchete, o post apresenta toda a passagem sobre o tema exibida no programa “Agora CNN”.
Dessa forma, o fato de a publicação trazer apenas o título da matéria não compromete tanto o entendimento, já que o vídeo tem 8 minutos e 44 segundos de duração.No entanto, por se tratar de uma reportagem de TV, a publicação carrega problemas de acessibilidade típicos do telejornalismo — além de não considerar plenamente as especificidades da própria plataforma.
A matéria não possui legendas nem legenda automática. Como o conteúdo não está sendo consumido pela televisão, não é possível acessar recursos como o closed caption. O uso de imagens para ilustrar os fatos e de entrevistas remotas contribui para a compreensão do conteúdo.
Ainda assim, não há audiodescrição das imagens exibidas, que são importantes para a construção de sentido da notícia. A ausência desse recurso faz com que parte da informação se perca para pessoas com algum grau de deficiência visual.
TikTok
Assim como outros veículos, a CNN optou por reproduzir o voto da ministra Cármen Lúcia. Acompanhado do título da notícia — que ajuda a contextualizar o vídeo —, percebe-se a ausência da fala de um jornalista ou de outro recurso que auxilie na interpretação do juridiquês.
Embora a ministra utilize termos relativamente simples, a duração “longa” do vídeo levanta a questão de se uma locução complementar não poderia dar mais ritmo e facilitar a compreensão. Além disso, nota-se a ausência de legendas. Apesar de parcialmente suprida pela legenda automática da plataforma, em alguns momentos ela se sobrepõe ao título da publicação, o que pode gerar confusão e prejudicar a legibilidade.
Já em relação à legenda, o uso de uma “cabeça” que contextualiza o que está acontecendo é uma escolha positiva, embora seja válido questionar se, diante da relevância da notícia, não seria mais eficaz ir direto ao ponto. Ainda assim, o texto é conciso e objetivo, sem recorrer a termos excessivamente complexos ou construções longas.
O vídeo escolhido para ilustrar a notícia mostra uma visão aérea da manifestação contra a PEC na orla de Copacabana, no Rio. A gravação tem boa qualidade e dialoga diretamente com a informação do título, ao evidenciar a dimensão dos 41,8 mil manifestantes. No entanto, o vídeo não possui som além do ambiente da própria manifestação e não conta com audiodescrição nem com narração jornalística que ajude a contextualizar a cena.
Já a legenda funciona como um ponto positivo. A “cabeça” está alinhada com a informação da notícia, e o texto é conciso e objetivo, explicando os resultados da pesquisa da USP de forma clara. Além disso, faz uso adequado de hashtags — como em #PECdaBlindagem, que utiliza letras maiúsculas nos momentos corretos —, o que facilita a leitura tanto para usuários quanto para leitores de tela.
