Instagram

Post estático da CNN Brasil sobre julgamento da trama golpista. A imagem mostra o ex-presidente Jair Bolsonaro usando terno escuro e gravata azul. Bolsonaro aparece olhando para frente em ambiente interno. O título “STF tem maioria para condenar Bolsonaro por todos os crimes do plano de golpe” aparece na publicação. O texto informa que a ministra Cármen Lúcia formou maioria na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal para condenar Bolsonaro e outros sete réus pelos crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República.

A imagem não apresenta texto alternativo, o que impede que pessoas com deficiência visual tenham acesso à fotografia de Bolsonaro. Além disso, ao utilizar a ferramenta VoiceOver do iOS, percebe-se que o leitor de tela demora a chegar à notícia, devido à presença do slogan do jornal como H1 (ou seja, com hierarquia superior à própria manchete).

Por outro lado, o uso de cores no post é um ponto positivo, já que o contraste forte contribui para a legibilidade do texto. Ainda assim, chama atenção o uso de palavras em inglês em uma publicação de um veículo brasileiro, tanto na imagem quanto na legenda — inclusive como primeiro elemento do texto.

A legenda vai direto ao ponto da notícia, mas o primeiro parágrafo é composto por apenas um período, com 271 caracteres, o que prejudica a clareza e a organização da informação. Sem a utilização de jargões jurídicos ou palavras que dificultem o entendimento da notícia, no geral, o texto é conciso e consegue apresentar os principais pontos sobre a formação da maioria.

Post estático da CNN Brasil sobre manifestações contra o PL da Anistia e a PEC da Blindagem. A imagem mostra manifestantes reunidos em ato no Rio de Janeiro. O título “Esquerda vai às ruas em diversas capitais contra anistia e PEC da Blindagem” aparece na publicação. O texto informa que movimentos de esquerda realizaram manifestações em diferentes capitais brasileiras com apoio de artistas, parlamentares e sindicatos.

Não houve nenhuma publicação sobre pessoas com deficiência, acessibilidade ou qualquer menção à efeméride na CNN. Por isso, dentro da mesma data, optou-se por escolher uma notícia de relevância nacional — no caso, a cobertura sobre os protestos acerca da PEC da Blindagem — a fim de observar a acessibilidade também em conteúdos do cotidiano político.

Assim como na primeira publicação, a imagem não apresenta texto alternativo e repete o problema de hierarquia das informações, embora mantenha boa legibilidade.Em relação à legenda, há algumas melhorias.

A principal é o início pela linha-fina da notícia, que complementa a informação do post. Ainda que não haja uma conexão totalmente clara — o que pode gerar alguma confusão ao usuário —, o conjunto funciona bem. A legenda não é tão curta quanto a anterior, mas segue objetiva e consegue informar os principais pontos, com parágrafos concisos e frases mais diretas.

Facebook

Post estático publicado pela CNN Brasil no Facebook sobre julgamento da trama golpista. A imagem mostra o ex-presidente Jair Bolsonaro usando terno escuro e gravata azul. Bolsonaro aparece olhando para frente em ambiente interno. O título “STF tem maioria para condenar Bolsonaro por todos os crimes do plano de golpe” aparece na publicação. O texto informa que a ministra Cármen Lúcia formou maioria na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal para condenar Bolsonaro e outros sete réus pelos crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República.

A publicação no Facebook é uma replicação do Instagram — o que, nesse caso, pode ser visto como um ponto positivo. O post não se limita a um link, que muitas vezes funciona como uma barreira informacional, e consegue entregar a informação completa ao usuário, permitindo que ele se informe sem precisar acessar outras páginas.

Por outro lado, por ser uma replicação, repete os mesmos problemas da versão original: a imagem não apresenta texto alternativo e há falhas na hierarquia das informações. Nesse caso, o uso de palavras em inglês se torna ainda mais prejudicial, já que aparecem como primeiro elemento de contato com o usuário, considerando que, no Facebook, a imagem fica em segundo plano no layout da plataforma.

Ainda assim, a publicação ganha pontos por se diferenciar de outros formatos mais limitados e por conseguir apresentar os principais aspectos do fato noticioso.

Post com link publicado pela CNN Brasil no Facebook sobre manifestações contra o PL da Anistia e a PEC da Blindagem. A imagem mostra manifestantes reunidos em ato no Rio de Janeiro, segurando bandeiras e cartazes em área pública. O título “Esquerda vai às ruas em diversas capitais contra anistia e PEC da Blindagem” aparece na publicação.

A segunda publicação não segue as boas práticas observadas na primeira. O post se limita a trazer o título da notícia, sem qualquer complemento ou contextualização.

Além disso, não há indicação clara do link para a página do jornal — embora ele esteja acoplado, não é devidamente sinalizado. Também não há qualquer indicação de como acessá-lo, o que acaba criando mais uma barreira para que o usuário chegue à informação completa. Para quem utiliza leitor de tela, a experiência se torna ainda mais confusa, já que a informação aparece duplicada: o título é lido tanto no texto do post quanto na imagem do link.

X (antigo Twitter)

Post com link publicado pela CNN Brasil no X sobre julgamento da trama golpista. A publicação não possui imagem. O título “STF tem maioria para condenar Bolsonaro por organização criminosa” aparece no post e informa que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O post se limita a trazer o título da notícia, sem qualquer complemento ou contextualização. Considerando a relevância do tema, é válido questionar se esse é o formato mais adequado para a distribuição.

Entende-se que, diante de uma notícia urgente, a rapidez na publicação tende a falar mais alto, mas, com um pouco mais de elaboração, o conteúdo poderia ser não só mais acessível, como também mais completo e com melhor desempenho na plataforma — que, embora tenha sido criada para textos, vem privilegiando cada vez mais vídeos.

Provavelmente resultado de um processo de automatização, a publicação traz apenas o link para a matéria no site, o que acaba criando mais uma barreira para o usuário acessar a informação. Além disso, não há sinalização clara da presença desse link, nem qualquer orientação sobre como acessá-lo. Na data em que o post foi analisado (19/04/2024), também houve dificuldade em visualizar a imagem da matéria, que complementa a notícia, já que não foi possível carregá-la.

Vídeo publicado pela CNN Brasil no X sobre manifestações contra o PL da Anistia e a PEC da Blindagem. O vídeo mostra trecho do programa Agora CNN, com um jornalista apresentando informações sobre os atos realizados em diferentes capitais brasileiras. As imagens exibem cenas das manifestações enquanto o jornalista comenta a mobilização de movimentos de esquerda contra a anistia e a proposta de emenda constitucional. O título “Esquerda faz ato contra anistia e PEC da Blindagem” aparece na publicação.

A publicação traz um recurso interessante: além da manchete, o post apresenta toda a passagem sobre o tema exibida no programa “Agora CNN”.

Dessa forma, o fato de a publicação trazer apenas o título da matéria não compromete tanto o entendimento, já que o vídeo tem 8 minutos e 44 segundos de duração.No entanto, por se tratar de uma reportagem de TV, a publicação carrega problemas de acessibilidade típicos do telejornalismo — além de não considerar plenamente as especificidades da própria plataforma.

A matéria não possui legendas nem legenda automática. Como o conteúdo não está sendo consumido pela televisão, não é possível acessar recursos como o closed caption. O uso de imagens para ilustrar os fatos e de entrevistas remotas contribui para a compreensão do conteúdo.

Ainda assim, não há audiodescrição das imagens exibidas, que são importantes para a construção de sentido da notícia. A ausência desse recurso faz com que parte da informação se perca para pessoas com algum grau de deficiência visual.

TikTok

Vídeo publicado pela CNN Brasil no TikTok sobre julgamento da trama golpista. O vídeo mostra a ministra Cármen Lúcia durante sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal enquanto apresenta seu voto. As imagens acompanham o julgamento no plenário e destacam o posicionamento da ministra pela condenação dos réus do núcleo central da trama golpista. O título “Cármen vota para condenar todos os réus do núcleo 1 da trama golpista” aparece no vídeo.

Assim como outros veículos, a CNN optou por reproduzir o voto da ministra Cármen Lúcia. Acompanhado do título da notícia — que ajuda a contextualizar o vídeo —, percebe-se a ausência da fala de um jornalista ou de outro recurso que auxilie na interpretação do juridiquês.

Embora a ministra utilize termos relativamente simples, a duração “longa” do vídeo levanta a questão de se uma locução complementar não poderia dar mais ritmo e facilitar a compreensão. Além disso, nota-se a ausência de legendas. Apesar de parcialmente suprida pela legenda automática da plataforma, em alguns momentos ela se sobrepõe ao título da publicação, o que pode gerar confusão e prejudicar a legibilidade.

Já em relação à legenda, o uso de uma “cabeça” que contextualiza o que está acontecendo é uma escolha positiva, embora seja válido questionar se, diante da relevância da notícia, não seria mais eficaz ir direto ao ponto. Ainda assim, o texto é conciso e objetivo, sem recorrer a termos excessivamente complexos ou construções longas.

Vídeo publicado pela CNN Brasil no TikTok sobre manifestação contra o PL da Anistia e a PEC da Blindagem. O vídeo mostra uma visão de cima da orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, tomada por manifestantes reunidos em ato organizado por movimentos de esquerda. As cenas apresentam pessoas segurando bandeiras e cartazes durante a mobilização. O título “Ato da esquerda no Rio de Janeiro teve 41,8 mil manifestantes” aparece no vídeo. A publicação informa estimativa de público divulgada pelo Monitor do Debate Político com apoio de pesquisadores da USP.

O vídeo escolhido para ilustrar a notícia mostra uma visão aérea da manifestação contra a PEC na orla de Copacabana, no Rio. A gravação tem boa qualidade e dialoga diretamente com a informação do título, ao evidenciar a dimensão dos 41,8 mil manifestantes. No entanto, o vídeo não possui som além do ambiente da própria manifestação e não conta com audiodescrição nem com narração jornalística que ajude a contextualizar a cena.

Já a legenda funciona como um ponto positivo. A “cabeça” está alinhada com a informação da notícia, e o texto é conciso e objetivo, explicando os resultados da pesquisa da USP de forma clara. Além disso, faz uso adequado de hashtags — como em #PECdaBlindagem, que utiliza letras maiúsculas nos momentos corretos —, o que facilita a leitura tanto para usuários quanto para leitores de tela.

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